Hiperatividade de geração em geração!
"Na minha época não tinha essa tal de hiperatividade"
"A culpa dessa hiperatividade é da tecnologia. Criança precisa ir pra rua correr, brincar, ralar o joelho para curar isso."
"Falta de uma cinta. No meu tempo meus pais resolviam esses problemas com uma boa conversa no quartinho"
"Da uma enxada e um bom quintal para essa criança capinar que essa hiperatividade passa!"
Como eu já ouvi essas expressões e frases pela minha vida. Não somente por ser hiperativa mas também por ser professora e participar de inúmeras reuniões com famílias enfrentando problemas similares aos que minha família enfrentou a alguns anos, e alguns que eles ainda enfrentam.
Lembrei muito dessas frases e expressões exatamente por hoje ter a feliz experiência de "pegar na enxada" e cavar muitos buracos (risos)! Isso porque amo demais trabalhar com a terra e com plantas. Um amor que minha mãe descobriu em mim na terna infância e desenvolveu junto comigo. Hoje moro em um apartamento térreo que me proporciona essa alegria. E, durante muitos anos de minha vida morei em uma ampla casa com um enorme quintal que me permitia ter contato com terra e animais.
A ideia errônea que a hiperatividade nunca existiu cai por terra quando eu te apresento a minha família.

Essas são minha avó e eu. Minha avó é uma senhora de quase 90 anos que com toda força mata, limpa e frita um porco no interior do mato grosso. Sempre teve dificuldades com o sono, até hoje não sabe ler por que "as letras parecem embaralhar" (palavras dela para mim a alguns anos), porém, da forma dela ela identifica alguns nomes importantes como lugares, placas de ônibus e embalagens, seus pés não param em um só lugar, não tem paciência para filmes ou novelas, mas ama uma boa trama, conversa igual uma tagarela, ama uma boa história, as suas preferidas são de sua juventude, se eu te contar ... São parecidas com a minha.
Entre minhas tias ainda não identifiquei alguém tão parecida nesse ponto. Mas, todas elas herdam um pouco desse lado ativo de minha avó. São lindas mulheres que tem um motorzinho nos pés, mentes inquietas e criativas. Dotadas de incrível capacidade de liderança e alegria fora do normal. Com tudo isso eu simplesmente cheguei a conclusão que a hiperatividade e essa mente que tenho existe a muito tempo, não é de hoje muito menos por causa das telas tecnológicas.
Então, toda vez que ouço uma família ou qualquer comentário "torto" pra cima de mim nessa direção costumo sorrir e perguntar se eles teriam essa mesma resposta para a minha avó de 90 anos. Ou, para as minhas tias de 50 ou para qualquer outro hiperativo da minha idade que tenta sobreviver com toda essa energia.
Somos assim, como pequenos bichinhos com motorzinhos nos pés sempre pontos para a atividade, com as mentes sempre ativas para desempenhar de tudo ... as vezes a exaustão nos pegará de surpresa! Mas, é assim, fazer o que?


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